Publicado em 28/10/2026
Júlio Campos aponta erro da direita ao reconhecer vitória de Lula Facebook
Politica
Júlio Campos aponta erro da direita ao reconhecer vitória de Lula Facebook

Em uma guinada de discurso em relação às suas declarações após o primeiro turno das eleições, o deputado estadual Júlio Campos (União) afirmou que a disputa de segundo turno ocorreu sem irregularidades e que o resultado das urnas, que reelegeu o presidente Lula (PT), deve ser integralmente respeitado.  

 

Logo após o primeiro turno, o parlamentar mato-grossense havia levantado suspeitas sobre a lisura do processo eleitoral e criticado a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, porém, o tom foi de pacificação e de reconhecimento da legitimidade democrática.  

 

"O resultado da eleição depende do povo. Nós temos que entender que democracia é isso: ganha ou perde", afirmou o deputado nesta quarta-feira (28) na Assembleia Legislativa (ALMT). "É que nós temos que reconhecer, [Lula foi] legitimamente reeleito para mais um mandato. Não era o que eu queria, mas a gente tem que reconhecer que democracia é isso. Nós temos que respeitar o resultado das urnas e agora é bola pra frente", completou.  

 

Campos também rechaçou teses de fraude que circularam entre apoiadores mais radicais sobre a prorrogação do horário de votação em algumas seções. "Urna eletrônica é urna eletrônica (...), mas a diferença foi muito grande. E essa história de que prorrogou por mais duas horas (...), dizem os entendidos que apenas 35 a 50 mil eleitores votaram. O que não mudaria o resultado numa diferença de 4 milhões e pouco de votos", ponderou.  

 

Ao avaliar as razões do revés da direita no segundo turno, Júlio Campos criticou a estratégia adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao lançar seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para a disputa presidencial. Segundo o deputado, o grupo errou na escolha do nome e o candidato "natural" da direita deveria ter sido o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).  

 

"O erro começou na escolha do candidato. O candidato natural da direita, nosso, deveria ser o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Lamentavelmente, por uma questão pessoal, particular, o presidente Bolsonaro indicou seu filho Flávio", avaliou Campos, acrescentando que, apesar de o senador ter "decolado" no final da campanha e alcançado quase 49% dos votos válidos, a estratégia inicial comprometeu o resultado.  

 

Entre os fatores que alavancaram a reação de Lula, o deputado citou a forte mobilização da militância petista entre os turnos e os desempenhos nos debates televisivos. "No primeiro debate, o nosso candidato foi o perdedor (...), não saiu bem. Melhorou no segundo, mas não deu para superar aqueles problemas do primeiro debate da Band", disse.  

 

Questionado sobre a ida repentina de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após a divulgação do resultado, Campos justificou a viagem alegando receio do parlamentar diante das ações do Supremo Tribunal Federal (STF). "Foi uma operação porque foi fruto da brutalidade com que o ministro Alexandre de Moraes tomou 7 minutos após o encerramento das urnas", declarou.   

 

Segundo ele, o ministro já havia pedido o confisco do passaporte para proibi-lo de sair do país. "Praticamente estava quase que já declarando que ia prendê-lo. Então, ele acha que não tem culpa e realmente resolveu reagir".


Fonte: Gazeta Digital
Texto: Fred Moraes e Pablo Rodrigo
Fotos: Fred Moraes
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